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Manifesto da Frente Nacional
Pelo Saneamento Ambiental

Maio de 2005

 

Após anos e anos de lutas do setor saneamento contra o arrocho imposto ao setor público pelo Governo FHC, para contratação de recursos do FGTS e BNDES, vimos com euforia o descontigenciamento dos recursos ao setor saneamento por intermédio da Resolução 3153 de 11.12.2003 do CMN e àquela época a Frente Nacional pelo Saneamento Ambiental se manifestou publicamente reconhecendo a disposição do Governo do Presidente Lula em sinalizar concretamente com ações rumo à universalização dos serviços de saneamento em período razoável para a minimização deste déficit social histórico. Nos anos 2003 e 2004 o Ministério das Cidades, por meio da Secretaria Nacional de Saneamento Ambiental e da Caixa Econômica Federal, contratou operações de crédito junto aos governos estaduais e municipais e companhias estaduais e municipais, no valor de R$ 4,1 bilhões em obras para expansão dos serviços de abastecimento de água, esgotamento sanitário, manejo dos resíduos sólidos e das águas pluviais urbanas. Esse valor contratado significa 14 vezes mais tudo aquilo que foi contratado pelo governo FHC no período de 99/2002. Isto sem contar com o comprometimento de mais R$ 2,0 bilhões com recursos do OGU dos Ministérios das Cidades, Saúde/Funasa, Meio Ambiente e Integração Nacional, totalizando R$ 6,1 bilhões em dois anos de mandato.


A sinalização da perspectiva de universalização dos serviços de saneamento por parte do Governo Federal foi também demonstrada a partir do PPA 2004/2007, que considerou o aporte de recursos do FGTS e BNDES para serem aplicados todos os anos no setor. Está previsto no PPA que para o ano 2005 existe disponibilidade para contratação de R$ 3,3 bilhões pelo setor público de saneamento, utilizando recursos do FGTS e do BNDES.


É importante destacar que não se trata de recursos a fundo perdido, está se falando em recursos onerosos, de fontes que serão utilizados por companhias estados e municípios para serem retornados ao FGTS e ao BNDES em bases pré-estabelecidas contratualmente. O setor de saneamento sempre se caracterizou como bom pagador destes empréstimos. O nível de inadimplência é praticamente zero.


Portanto é imperioso que o Conselho Monetário Nacional - CMN flexibilize as regras do contingenciamento do gasto público, definindo novos limites para permitir que os serviços públicos de saneamento possam acessar os recursos do FGTS e do BNDES sobe pena do setor de saneamento voltar à situação de penúria na qual o Governo FHC deixou. Isso pode resultar no investimento de valores irrisórios no ano 2005 que é um setor propulsor e importante para a geração de empregos nas diversas cidades brasileiras.


Outra ação importante que o Governo do Presidente Lula empreendeu nos dois primeiros anos de governo foi à formulação de uma nova Política Nacional de Saneamento a partir de um processo de discussão com a sociedade civil nunca visto nos últimos tempos de democracia no país. Foram vários seminários regionais e nacional; e um histórico processo de consulta pública para coleta de contribuições da sociedade. Entretanto, até o presente momento este Ante Projeto de Lei ainda não foi enviado ao Congresso Nacional, o que de certa forma vem frustrando o movimento popular e o setor saneamento como um todo.


Frente a estes fatos, as entidades abaixo-assinadas vem a publico manifestar suas preocupações e tornar público duas reivindicações aos Governos Federal, fundamentais para contribuir com a melhoria da qualidade de vida da população brasileira:


1. Que o governo federal, por intermédio do Conselho Monetário Nacional, defina em caráter de URGÊNCIA limites extras de contratação para possibilitar que o setor público possa acessar, em 2005, os recursos do FGTS e do FAT, para ações de expansão dos serviços de abastecimento de água, esgotos, resíduos sólidos e drenagem no valor de 3,3 bilhões de reais, conforme prevê o PPA 2004/2007;


2. Que o Governo Federal envie urgentemente ao Congresso Nacional o Ante Projeto de Lei que trata da nova Política Nacional de Saneamento e define diretrizes para a prestação dos serviços de saneamento no país.


Assinam este manifesto:


FNSA – Frente Nacional pelo Saneamento Ambiental
ASSEMAE - Associação Nacional dos Serviços Municipais de Saneamento
IDEC - Instituto de Defesa do Consumidor

Fórum Nacional de Entidades Civis de Defesa do Consumidor

 


Silvano Silvério da Costa
Secretário Executivo da FNSA


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